Ação aposta na força das redes de mulheres para prevenir a violência de gênero em territórios impactados pelas enchentes no RS
No dia em que a Lei Maria da Penha completa 19 anos — marco fundamental na construção de estratégias de proteção e cuidado com as mulheres em situação de violência — a Asecad lança a campanha “Eu não ando só!”, com objetivo de fortalecer redes comunitárias de apoio a mulheres e meninas no contexto de emergência climática no RS.
A Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, representou um divisor de águas ao reconhecer a violência doméstica como uma violação de direitos humanos e ao impulsionar a criação de políticas públicas em áreas como assistência, educação e enfrentamento de estereótipos de gênero. Inspirada nesse marco histórico e nas lutas feministas por justiça e equidade, a campanha busca ampliar o cuidado, o pertencimento e o acesso à informação em territórios marcados por vulnerabilidades históricas, agravadas pelas recentes enchentes.
Justiça climática e gênero caminham juntas
As emergências climáticas, como as enchentes que afetaram o RS em 2024, não atingem todas as pessoas da mesma forma. Mulheres negras, periféricas, indígenas, mães solo, mulheres com deficiência e LGBTQIA+ estão entre as mais impactadas, seja pela perda de moradia, pelo deslocamento forçado ou pelo aumento dos casos de violência e exploração em contextos de abrigamento e insegurança.
Nesse sentido, a campanha “Eu não ando só!” é também uma ação de justiça climática feminista, que entende a crise ambiental como um reflexo das desigualdades estruturais e propõe caminhos de enfrentamento que passam pela organização comunitária, pela escuta ativa e pelo empoderamento legal.
Campanha “Eu não ando só”
A campanha “Eu não ando só” é desenvolvida pela Asecad em parceria com o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD RS), com recursos de emenda parlamentar da Deputada Federal Daiana Santos (PCdoB – RS) e por meio do Ministério das Mulheres. A campanha é uma iniciativa de prevenção primária à violência contra as mulheres, com oficinas educativas, escuta ativa e articulação de redes locais e mostra que quando unimos forças, criamos territórios mais seguros, solidários e acolhedores para todas.
A estética da campanha traz elementos visuais inspirados na expressão popular, no artesanal e na coletividade. A união de mãos, o uso de folhagens, texturas e colagens reforçam a mensagem de que a luta por justiça de gênero nasce da ação conjunta e do cuidado com a outra. O círculo amarelo presente na identidade simboliza esperança e as rodas de conversa que criam espaços seguros de troca.
Nas redes e nas ruas
Nas próximas semanas, a campanha circula com conteúdos nas redes e por diversos espaços de Porto Alegre e Região Metropolitana, além de materiais impressos e rodas de conversa.
