Após um ano da enchente que afetou Rio Grande do Sul, o grupo organizador do I Curso de Promotoras Legais Populares (PLPs) de Eldorado do Sul retomou em maio deste ano os encontros de planejamento para a continuidade da formação, interrompida desde os eventos climáticos do ano passado.
A iniciativa é realizada pelo Grupo de Mulheres Erotildes Brasil, em parceria com a Associação Estadual Carlos Dorneles (ASECAD), a Prefeitura de Eldorado do Sul, por meio da Coordenadoria da Mulher, o Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, a Câmara de Vereadores, através da Procuradoria da Mulher, e a organização feminista Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos.
Com as novas cheias que voltaram a atingir a cidade em junho, a situação segue crítica. Eldorado do Sul tem, segundo dados atualizados da Secretaria Municipal da Reconstrução, Resiliência Climática e Defesa Civil, 11.498 pessoas atingidas e 5.361 desalojadas, com mais de 300 pessoas em abrigos públicos.
Diante desse contexto, a última reunião do grupo organizador, realizada na última quarta-feira (25), precisou ocorrer de forma virtual. Ficou decidido aguardar os próximos dias para reavaliar o calendário de recomeço das aulas presenciais. Uma roda de conversa com as alunas está prevista para julho, como parte do processo de escuta e rearticulação.
Enchentes em 2024
Durante a paralisação, diversas cursistas e ativistas estiveram diretamente envolvidas na organização de Cozinhas Solidárias, implantadas pelo MTD e ASECAD nos bairros Cidade Verde e Costaneira. As mulheres atuaram na produção e distribuição de alimentos, no recebimento e distribuição de doações e, especialmente, na criação de espaços de escuta e acolhimento para outras mulheres em situação de vulnerabilidade.
Na época, o Grupo de Mulheres Erotildes Brasil realizou mapeamento dos impactos e necessidades decorrentes da situação de emergência por meio do contato direto com cada uma delas. Das 40 mulheres contatadas, 16 tiveram que abandonar suas casas, e ao menos 4 foram encaminhadas para abrigos emergenciais. A partir desse levantamento, foram prestados apoios pontuais, como doações e ações de acolhimento.
Inspirado em uma longa tradição latino-americana de formação popular feminista, que valoriza o empoderamento legal como ferramenta coletiva de enfrentamento das violências e desigualdades, a retomada do curso reafirma a urgência e relevância do Curso para fortalecer a resistência das mulheres frente às crises socioambientais.
